quarta-feira, 28 outubro , 2026

O outro lado de D. Pedro I

Ao lermos a história do nosso país, fazemos uma viagem um tanto surpreendente, pois constatamos que a mesma possui “verdades” que são muitas vezes repletas de fatos destorcidos. Por exemplo Nobres, assumindo o poder apenas para seguir uma hierarquia na qual nem faz idéia do estrago que pode causar as pessoas e até mesmo um país.

É verdade que nós não tínhamos escolha, era aceitar sem reclamar, afinal de contas, quem éramos nós para contestar tal nobreza.
Na história política do Brasil, pode-se analisar certas épocas, que nos deixam constrangidos por se tratar de feitos desenvolvidos, apenas pelo interesse de poucos para satisfação de poucos, ou seja, bom para quem está no poder.

Assim, ao pensar o século 19, constata-se um pequeno garoto que não teve muita atenção por parte de seus pais. Chegando ao Brasil, assim comprova Eduardo Bueno (2003, p. 170) (…) esse desleixo assumiria proporções quase criminosas, (…) brigava a pau e soco com outras crianças, bolinava as escravas. Esse garoto era Pedro de Alcântara, que viria ocupar o posto de imperador do Brasil, com o título de D. Pedro I.

Vindos de Portugal, a corte já possuía um estilo de vida monárquica que pretendia manter na sua permanência no Brasil, sendo que, quando D. João VI voltava para Portugal, na sua principal colônia, Brasil, em 1821, deixava o seu filho D. Pedro I como sucessor dessa mesma monarquia. Era improvável e sem nexo ver que um garoto, que corria solto pela Quinta da Boa Vista, sem sonhos nem perspectivas futuras, passasse tão cedo a ocupar um importante cargo à frente de um governo, onde um erro na mudança dos tradicionais modelos portugueses seria fatal.

Durante a sua juventude, “D. Pedro adquiriu fama de amante insaciável. Os nobres portugueses e ricos brasileiros escondiam as filhas quando o príncipe passava“ (Eduardo Bueno, 2003, p. 171). É difícil ver tal jovem com responsabilidades tão importantes, mas ao mesmo tempo sendo manipulado em sua administração.

E como se não bastasse, a corte exigia o retorno imediato a Lisboa do príncipe regente, já que, na opinião dos deputados, não tendo mais o Brasil um governo central, a presença de D. Pedro no Rio de Janeiro passava a ser meramente figurativa.
Vê-se, assim, que os feitos heróicos de D. Pedro I que nos são mostrados pendam a ser meras fantasias.

Pois parecia mais uma bola de pingue-pongue controlada pela elite dominante que, ao mesmo tempo que o dispensava, o reconvocava. “Um documento que clamava que o príncipe desafiasse as cortes e permanecesse no Brasil (Eduardo Bueno , 2003, p. 172). Mais uma vez, a corte desafiava D. Pedro a pousar como pano de fundo. Assim, deu-se o dia do “Fico”, cuja consta na história que esta palavra nem foi pronunciada – datado em 9/01/1822. (Continua na edição de amanhã).

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